Sintomas de dengue em crianças podem ser confundidos com gripe ou virose




Foto: Blend Images / Corbis
A dengue continua circulando entre nós. Por isso, além de continuar no combate, temos que ficar atentos aos possíveis sintomas da doença. As crianças são motivo de preocupação, porque além de fazerem parte do grupo de risco juntamente com doentes crônicos, idosos e gestantes, nelas os sintomas podem ser facilmente confundidos com os sinais de gripe ou de viroses comuns. O que se torna arriscado, pois a dificuldade de chegar ao diagnóstico correto pode levar à demora do tratamento. Nas últimas epidemias, 25% das vítimas de dengue eram menores de 15 anos.
A infectologista e pediatra do Hospital Federal dos Servidores do Estado, Márcia Galdino, explica que os pais devem ficar atentos a alguns indícios da doença: “A observação deles é muito importante para o diagnóstico. Porque a criança não vai dizer que está com dor de cabeça, não vai dizer que sente dor nas articulações. Por isso, os pais devem estar atentos a sintomas como febre, falta de apetite, se a criança está prostrada, irritada, se chora muito, sente dores na barriga, se está vomitando, não está urinando direito e se tem manchas no corpo. Não precisa ter todos esses sintomas, mas se a criança tem alguns desses os pais devem levá-la ao médico”.
A dengue não passa de pessoa para pessoa e para se infectar com o vírus a criança precisa ser picada pelo mosquito hospedeiro da doença, o Aedes aegypti. Não existe tratamento específico para a dengue, mas tomar bastante liquido é o mais recomendado pelos especialistas. “A hidratação é boa em todos os casos, mesmo que não seja dengue. O indicado é que a criança com dengue seja hidratada de 50 a 100 ml por kilo/dia. Sendo 1/3 de soro de hidratação oral e 2/3 de água, suco, chá e água de coco. Mas os médicos devem explicar muito bem, e por escrito, como essa hidratação deve ser feita”, reforça a pediatra.
Medicamentos como antiinflamatórios ou que contenham ácido acetilsalicílico na composição não podem ser ingeridos nesse período. Outro alerta é para o agravamento da doença, que ocorre de maneira repentina na criança e pode ser ainda mais perigosa nos bebês, pois a evolução do quadro pode ser súbita. Na maioria dos adultos, isso ocorre gradualmente. “Além de examinar bem as crianças, os médicos devem fazer um bom histórico clínico. Saber se ela toma alguma medicação, se não tem nenhuma outra doença e para isso, precisa das informações que a mãe fornece. A evolução da doença depende muito da resposta imunológica do paciente. Mas as crianças com menos de dois anos estão no grupo de risco dos casos de dengue. Crianças cardiopatas ou pneumopatas também merecem uma maior atenção”, alerta a pediatra.
Dengue hemorrágica- Existe uma forma mais grave da doença, a dengue hemorrágica. A ocorrência da forma mais grave acontece, na maioria das vezes, quando a criança já foi infectada anteriormente por um tipo diferente do vírus. Existem quatro tipos de dengue no Brasil e no mundo. O vírus causador da doença possui quatro sorotipos: DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4. A dengue pode se apresentar, clinicamente, como infecção inaparente, dengue clássica, febre hemorrágica da dengue e síndrome de choque da dengue.
Manual de tratamento – Com o aumento de casos de dengue entre crianças e jovens com até 15 anos, nos últimos anos, o Ministério da Saúde elaborou um manual específico para orientar os profissionais quanto ao tratamento da doença nesse público alvo. O guia alerta os profissionais para que redobrem a atenção quanto aos sintomas da dengue em crianças.
Prevenção – Para evitar a picada do mosquito, o uso de repelente é eficiente, pelo menos, três vezes ao dia, telas na janela e mosquiteiros também ajudam. O mosquito se reproduz em ambientes que contêm água parada e limpa. Seus ovos podem sobreviver até um ano em ambiente seco e esperam a estação seguinte de chuvas para formar novas larvas e multiplicar os mosquitos.
A melhor forma de prevenir é combater o mosquito transmissor retirando possíveis criadores como pneus em áreas abertas, que podem reter água da chuva; colocando areia ao invés de água nos pratinhos de plantas; limpando sempre vasos sanitários pouco usados, vasilhames de água de animais domésticos, caixas de água e piscinas. Não existe vacina para a prevenção da dengue.
Camilla Terra / Blog da Saúde

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